segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Forte é este sentir

O que é isto que sinto?
Se neste sentir…
Me perco,
Enlouqueço…
Numa imensidão de desejo.
Tantas são as noites,
Que em claro fico…
Em que não adormeço
Para velar por ti,
Guardando os teus sonhos.
Embriagado de amor estou
E deste mal faleço…
Perco-me no meu destino
Onde o mesmo…
Numa união de juras para sempre
Já não… só depende de mim.
Nesta loucura sã que me preenche
Os meus olhos cantam
Quando te vejo
Radiando em felicidade...
Num universo feito do teu sorriso.
Ali fico possuído
Neste fogo… vermelho vivo
Fremente a minha boca suspira
Arrepia quando sinto o beijo.
Afinal… nesta imensidão
Descubro que é lindo este sentir
Que revela e liberta a alma
E se o que sinto é uma dor de amor
Quero sentir,
Gritar ao mundo o teu nome
E que o coração nunca mais se cale.

Fotografia - Marta Ferreira (tema - Prazer na solidão...)

sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Um dia... talvez um dia

Nas palavras…
O momento que fica,
Que marca…
Entre os sonhos habitados
Que percorrem as naus do meu lar.
A imensidão…
De uma aura destinada,
Além dos tempos
Que gerem emoções,
Sentimentos,
Na missão de quem escreve.
Sou tudo o que escrevo,
Não sou nada afinal…
Poeta na aspiração das letras
Que falam em silêncio
Numa ânsia… somente presunção
Entre conquistas
Numa visão…
De o ser.
Nas palavras…
Retrato o quadro,
Como a tela de sentimentos
No encanto…
Entre o perfume das cores.
No poema…
Os farrapos que me vestem
Na leveza dos sabores
Escorre a tinta nos rabiscos que deixo
Mostrando o quando nu estou.
Sou o que gostava de ser…
E assim fico…
Vagueado no horizonte
Muito além do pensamento
Quiçá, o meu destino.

Fotografia - José (tema - ]... uma luz por entre as sombras...[)

quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Uma mensagem

Escrita no papiro nu…
A mensagem que partiu
Foram desejos secretos da boca e do corpo
Daquele amor cheio de crença e de medos,
Procurando um abrigo…
Além do porto que a acolhe.
Flutuando em ondas que fingi,
Anseia chegar a parte inserta…
Transportando um amor presente
Segredando no silêncio ao ouvido,
Palavras eternas que não disse,
Mas, que jaziam num coração ardente.
Há fogos acesos…
Que levaram incessantes tempestades
Alimentando os beijos dos namorados…
Num tempo sempre prisioneiro.
Palavras peregrinas e verdadeiras,
Que caem na suavidade do sentimento
Entre as gotas salgadas das lágrimas…
Deslizam como um rio
Entre as marés que o olhar deteve
Onde se seguram as amarras dos seus barcos.
Naufraga a gaivota…
Que rompeu o infinito vazio
Desafiando com robustez os céus
Onde sangram feridas abertas
Nos desejos adormecidos dos véus
Das noites cegas de amor.
A garrafa navega num mar que a leva…
Nascida pelas mãos sentidas
Esperando o sorriso do amanhecer
Perguntas… sem respostas possíveis
Fingindo que medito sem pensamento.
Praia nua que abraça a inocente razão
Mata-me de paixão um dia
Onde frestas abertas colhem quem eu sou
Voltarei na minha miséria, a escrever
Uma nova mensagem…
Na frescura daquilo que sinto.

Fotografia - Rui Moura (tema - *Então, dás-me um abraço?...*)

segunda-feira, 22 de Junho de 2009

Nota de autor

Caros amigos e leitores do Mar de Sonhos

Nos últimos dias tenho recebido inúmeras mensagens anónimas, de pessoa(s), que não devem ter nada mais que fazer, do que, serem felizes, ao enviar comentários ofensivos e abusivos à minha pessoa e ao teor dos meus poemas.

Quero contudo, agradecer de coração o trabalho a que se dão, ao ler e posteriormente comentar os meus poemas, mesmo com palavras e actos que demonstram a sua própria personalidade.

OBRIGADO
Luis Ferreira

quinta-feira, 18 de Junho de 2009

O meu destino

Não procurei…
Nunca o fiz… com medo do nada
Que preenchia o meu espaço
Indiferente ás linhas da palma da mão
Às estradas e caminhos cruzados que lia,
Que percorri sem metas anunciadas,
Entre a névoa dos abismos.
Carreguei o fardo da vida…
Nos trilhos sinuosos que se abriam
Passo a passo… á medida que caminhava
Entre os sonhos e as promessas escondidas
Nos desejos que brotaram na fonte,
Como gotas de orvalho que escorriam
No caule de uma flor pela manhã.
Pedras e pedras ergui…
Tantas as barreiras que venci,
Nos mistérios de um tempo que sorria
Interferindo abertamente na união
Construídas em letras e em escritas.
Nos delírios mais profundos,
Raros são os deuses que me tem escutado…
Atento… no silêncio, não ousei dizer
Com medo dos sonhos que fingi ter…
Louca, esta odisseia em que me encontrava
Nesta procura do próprio amanhecer.
Afinal…
Descobri em mim, o que sentia
Libertei a minha alma ao vento…
Sem medo de naufragar
Saciei a fome desta crença desgraçada
Vivendo para o amor doentio que me prendia.
Supus… que um dia
Entre as palavras imerecidas que escrevia
Com orgulho do destino que me abraçava
Que o meu pecado
A frase… treme ao ser dita
Ser… poeta!!!

Fotografia - verme (tema - Palavras Perdidas)

segunda-feira, 15 de Junho de 2009

Bálsamo de um renascer

Caminhos, por onde vou…
Onde caminho passo a passo
Num tempo louco,
Onde o presente é passado…
O passado será futuro…
Habitando no silêncio
Neste mundo caduco.
Aproximo-me sem chegar,
Afasto-me sem partir,
Numa estrada de silêncio
Entre ruas e ruelas que levam a becos…
Na cidade que anoitece no deserto.
Jardins encobertos, onde as flores murcham
Alagadas em lágrimas de desespero
Sentidas por mães que com os seus rebentos…
Sofrem mil vagas hostis
De uma primavera que não chega.
Sopros que rasgam o anunciar…
Nas velas em farrapos de onde partimos
Das esperanças declamadas pela voz de alguém,
Rema… morosamente sem remos
Rema… dirá o vento
Silvam os gritos dos náufragos na praia nua
Em ecos mudos de quem tenta chegar mais além.
Neste espaço habitado por ninguém
Onde as lâmpadas se afogam
Soltando venenos do cansaço
Levando ao desespero…
Entre as tórridas correntes que caem
Caem… de quem vive.
Estrada feita de pedras,
Pedras feitas do nada
Sem sinais… sem destino,
Apenas o uivo da noite
Na estaca cravada no dorso ao luar,
De um coração que se ouve no peito,
Grita na profunda infância
A liberdade perdida.
Alguém… apenas alguém
Se soltará da cruz
Abrindo a janela de par em par,
Para que o sol possa penetrar,
Num fecundo momento…
Rasgando os filamentos da nudez das trevas
Germinando assim, um novo amanhã.

Fotografia - Petrus (tema - Heavy fishery)

sexta-feira, 12 de Junho de 2009

A minha demência

Secaram-me as palavras,
Nem a folha branca…
Que dança nua para mim,
Alimenta a minha sede de sedução,
Para acasalar em letras
Entre os filamentos do meu destino.
Grito surdamente…
Rasgando os incensos do boreal do tempo
Nesta loucura que me invade
Pesado fardo que me aglutina
Onde os poemas naufragaram…
Na caneta do poeta.
Olhando o infinito,
A cegueira escurece a cor das linhas
Onde os sonhos vagueiam no horizonte,
Outrora… Ergui pontes e estradas
Alimentando, os versos,
Que escorriam como rios,
Na palma seca das minhas mãos.
Indiferente estou á minha natureza
Onde murcha a seiva,
De uma inspiração marcada em sentimentos
Entre os sinais que deviam nascer
E me conduziam em rumos celestes…
Até onde as asas me levavam.
Hoje… nesta brutal necessidade de escrever
Neste caos dependente que me consome…
Um vazio se ergue na penumbra do meu espírito
Perdição que me mata…
Numa demência que me escraviza,
Feita de grilhões que me prendem a uma sela
Onde jaz moribunda a minha alma.
Estupidez? Talvez…
Sufoco nos gritos surdos,
Que escorrem nas lágrimas que desaguam no meu mar
Onde rebentam botões de magia
De um novo amanhecer.
Fiel folha branca… que ondulas ao meu olhar
Conduzes à rotura da fina fronteira,
Entre a realidade e os pesadelos
Que assombram os fantasmas da minha casa
Sei… apenas sei
Que nenhum poeta vive sem as palavras
Assim como…
Eu não sei viver sem os poemas.

Fotografia - Fernando Tavares (tema - Voldron)

domingo, 7 de Junho de 2009

Como gostava...

Como gostava…
Com a suavidade do teu sorriso
Escrever melodias...
Acender as estrelas do céu,
Inundando com o brilho do teu olhar
E no silêncio dos nossos corpos
Reinventar nas palavras
Entre os laços do coração.
Se pudesse renascer todos os dias
Florindo mil flores,
Na beleza do teu dorso
Paraíso único que mata a minha sede
Entre toques e beijos
Acendendo fogueiras nos campos.
Como gostava…
De bordar tapeçarias de rosas
Embebidas no perfume do teu corpo
E assim adormecer todas as noites
No aconchego do amor.
Se o tempo parasse,
Sempre que estás comigo,
Não mais iria sentir a saudade…
E não iria morrer na tua ausência
Nas lágrimas que secam o meu rio.
Quero voar ao teu lado,
Todos os dias,
Em todas as horas,
Planando nos sonhos que unem alianças
Construindo um mundo só nosso
No eterno viver.
Meu amor, como Gostava…
De vestir o céu de azul
Para embelezar o tecto do nosso ninho
Presentear num único colorido
As manifestações do sentimento
Que habitam em nós, sem limites.
Apenas sei…
Que por ti…
Irei ao fim do mundo
Em viagens alucinantes…
Regressando a cada instante
Apenas e só apenas para te ver sorrir.
Como gostava…

Fotografia - Ana Meireles (tema - 33)

quinta-feira, 4 de Junho de 2009

Palavra Maldita

Palavra…
Oh palavra maldita…
Que tanto me persegues…
Sufocando o meu silêncio,
Aglutinando o meu ser,
Na masmorra do falar.
Matas-me…
Matas-me assim lentamente,
Cravando o punhal na minha língua,
Onde jorram os sons do meu querer,
Nos caminhos sinuosos…
Entre as pedras que ergo no tempo.
Palavra…
Não te odeio,
Não choro por ti…
Vivo contigo, amando-te secretamente
Nos rios secos onde navego
No sol que despertas em mim.
Escravizas o escrever,
Na escrita que liberto,
Entre os textos, onde me deito,
Vagueio sem fim,
Até ao fim do principio dos meus dias.
Rasgas-me o embrião dos sentimentos
Na inocência mágica…
Que escorre nos meus dedos,
Deambulando como moribundo,
Entre as sílabas que soletro
E me faz escrever…
Palavras, apenas palavras...

Fotografia - Jorge Nelson Alves (tema - .....LIBERDADE......)

segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Ser Criança

Como são belas as crianças,
Que bailam na inocência da sua alma,
Brincando…
Sentido a luz do mundo,
Por muito que as noites abracem a luz.
Coração puro,
Criam… inventam…Sonham…
Entre a imaginação
Fermentando a alegria
Que germinam nas acções,
Até onde o seu brincar as levar.
De sorrisos em cânticos ao vento,
Correm soltas,
Como pássaros destemidos
Abrem esperanças no tempo…
Na hegemonia do encanto
Pintam cores de beleza sentida.
São raízes que nascem na terra
Cultivadas nos jardins da vida
Entre os espaços que moldam
Abrindo as fronteiras do ser.
Com seus cabelos soltos
Saltam… correm… vivem…
Crescem num tempo que voa
E voam… sem sentir o tempo
Habitam no presente
Sem medo do futuro que se aproxima.
Transportam nos rostos,
Olhos que brilham de felicidade
Como é bom sentir esta liberdade…
Quando se sabe ser criança.

Fotografia - António Alfarroba (tema - Baloiço Maravilhas)

PS - Este poema é dedicado a todas as crianças, as que sabem ser e principalmente aquelas que não o são.