domingo, 27 de Abril de 2008

Agora é hora

Quente,
A noite…
Onde roubamos o momento,
Navegamos em sentimentos,
De chamas acesas.
Corpos que se chamam,
Palavras escondidas…
Ditas em silêncio,
Feitas de laços perpétuos,
Das promessas de um olhar.
Perfume que fermenta,
Aromas que escorrem lentamente,
Neste mundo privado,
Só nosso…
Nos bálsamos da tua pele.
Toques suaves que deslizam,
Entre beijos de desejo,
Nos vulcões adormecidos,
Se acendem a cada momento.
Mãos que se unem,
Dedos que se entrelaçam,
Escrevemos as alianças…
Neste abrigo que nos prende,
Fica comigo esta noite…
Ou fica... para sempre.
Tremo…
Deixo-me levar,
Intenso respirar,
E agora é hora…
De te querer ao meu lado.
Corto o tempo com uma faca,
Para que o amanhã não exista,
Ecoa a palavra que me mata…
Que me faz estremecer na paixão…
Quando os teus lábios dizem…
Amo-te.
Pulsa forte o meu coração,
Na loucura sã…
Respiro o teu leito,
E me deito,
Para voltar a amar.

Fotografia - Daniel Oliveira (tema - Sweet kiss)

quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Liberdade

Amordaçado ao tempo,
Num passado infiel…
Liberto o meu espírito,
Muito além do horizonte cruel.
Ergo a voz,
Marcho destemido…
Contra as barreiras do inimigo,
Rasgando os grilhões da opressão.
Solto os gritos acorrentados,
Em cravos cor de sangue…
No silêncio de gente sem rosto,
Manchando os campos verdejantes.
Secam-se as lágrimas,
Dos rostos inocentes…
Juntam-se as migalhas,
Que alimentam as mães crentes.
Contam-se histórias em segredo,
Vozes em ecos esquecidos…
Feitos de passados e presentes,
Em venenos adormecidos.
Liberdade, grita-se ao vento,
Voa pomba branca,
Rasga o céu na tua amplitude,
Erguendo os sorrisos de criança,
Que se cale a voz das armas, para sempre!

Fotografia - Raul Alexandre (tema - marcha da Indignação)

segunda-feira, 21 de Abril de 2008

O perfume das palavras

Perfumam-se as palavras,
Nos enredos do sentimento,
Na alma que vagueia…
Parto nas asas do vento.
Entre ecos nostálgicos,
Flutuo nas letras que envolvem,
O momento que abraço,
Um tempo que se evapora.
Solta-se o som de harpas eternas,
Nas melodias que preenchem o meu copo,
Do licor que derramo em bálsamos,
Grito em silêncio, sorrisos em choro.
Palavras que escrevo,
Feitas de carne do meu próprio peito,
Que correm nos riachos brandos,
Erguidas de sonhos e pensamentos.
Linear tempestade que nasce na aurora,
Entre lágrimas que escorrem dos meus dedos,
Amores-perfeitos que embalo…
Cantos ténues das rosas em espinhos,
Onde me pico e onde me deito.
Sal que adocica a vida,
Imagens invisíveis que inventei…
Deslizam em bailados no corpo das palavras,
Numa febre fria de fogo,
Num amor que me acalma e me abate.
Laços que abraçam o ser,
Percorro caminhos na imensidão,
Onde me perco,
Onde nasço…
Dou voz à voz,
E no aroma das palavras…
Dou vida ao coração.

Fotografia - Maria José Amorim (tema -Desperta-se a névoa em dançantes figuras...)

quinta-feira, 17 de Abril de 2008

O caminho

Desenho sorrisos de medo,
Em lágrimas que viram pó
Que o tempo abraçou
Nas histórias infindas.
Caminho sem destino,
Rodeado das incertezas do amanhã,
Comungando de multidões sem rosto,
Passos que dou…
No passado e no presente.
Solto gritos de silêncio,
Nas prisões do meu corpo,
Onde sangram filamentos de mim,
Em lagos de sentimento,
Nas respostas que não dou.
Choro,
Grito,
Alegro-me com sorrisos…
Do nada sou,
Do nada vivo.
E apenas cresço,
Nos sonhos e nos receios,
Nas histórias que conto…
Nos poemas que escrevo.
E assim…
Assim … caminho!

Fotografia - João Paulo Redondo (tema - Não me pise, por favor!)

segunda-feira, 14 de Abril de 2008

Vou embora...

Vou embora…
Atravessando o mar que me embala,
Nas palavras que sussurro,
Marinheiro no meu barco de papel,
De velas erguidas de linho do tempo.
Vou embora…
Parto seguindo o brilho das estrelas,
Rasgando o céu no seu limite,
Abraçando o mundo como uno,
Navegar nos sonhos perdidos.
Vou embora…
Para subir a montanha mais alta,
Gritar o meu nome ao eco,
Sentir o perfume do teu manto,
Que o vento traz e segreda ao ouvido.
Vou embora…
E assim coser um vestido de sorrisos,
Para secar as lágrimas com um beijo,
E nos teus olhos reflectir a alegria,
Que sinto quando te vejo.
Vou embora…
Para poder cheirar a flor que ondula no jardim,
E dos raios de sol construir um caminho,
Que ilumina por magia o nosso rosto,
Na paixão embebida dos corpos nus no ninho.
Vou embora…
E apenas sei…
Que irei feliz!

Fotografia - THE ANYWHEN EXPERIMENT (tema - Stairway to Heaven)

quinta-feira, 10 de Abril de 2008

És a minha estrela

Embalo nas vagas,
Que alimentam o meu corpo…
E transporto em mim,
Os segredos escondidos no tempo.
No refúgio dos sentimentos,
Que despertam na imensidão…
Apelos que deslizam em ecos,
Erguidos nos gestos do coração.
Resvalo suavemente no teu dorso,
Na nudez que partilhamos no infinito,
Palavras de desejos proibidos…
De tantos sonhos construídos.
Na crista da espuma de algodão,
Feita de ondas que alimentam o meu peito,
Escorrem na praia deserta…
Os filamentos escritos na areia,
Perpetuam palavras do poeta.
Acendem à noite as estrelas no céu,
Diamantes que pintam a luz que irradia,
Nada será hoje como dantes…
Porque em mim uma outra estrela brilha.
Apenas sei que no silêncio que me percorre,
No abraço que te dou em meu manto azul,
O perfume do teu ser que embalo,
Refúgio que acolhes no meu corpo.
Sopra o vento …
Sintonia do pensamento que vagueia no ar,
Nada mais importa,
Nada mais…
Eu sou o mar…
E tu… a minha estrela marinha.

Fotografia - Nuno Rodrigues (tema - Sonho)

terça-feira, 8 de Abril de 2008

Noticia do Mar (última hora)

Caros amigos e leitores

O poeta Conimbricense Xavier Zarco, escreveu no seu diário (http://www.euxz.blogspot.com) no passado domingo, dia 6 de Abril, umas notas acerca de mim, que muito me orgulharam, e que gostaria de partilhar convosco.

Não sendo natural este género de referências no meu blog, abro aqui uma excepção para a qual espero a compreensão dos meus leitores e amigos. Estas palavras sensibilizaram-me bastante e, tratando-se de um momento de felicidade para mim, não podia deixar de as referir.

Deixo assim o texto na integra…

“Hesitei se deveria colocar esta anotação sobre Luís Ferreira agora ou só quando se aproximasse a data de publicação do seu próximo livro: “Rio de Sal”, o qual tive o privilégio de prefaciar e, também, irei, com muito gosto, apresentar, mas como estou a fazer noitada, apetece-me e, como tal, aqui vai.
Também de hesitações é feito este diário porque é feito por um homem sujeito ao tempo que dispõe e às anotações que foi recolhendo ao longo da sua preparação. E ainda bem que assim é, pelo menos para mim.
Sobre o Luís Ferreira devo dizer que se configura como possuidor de uma voz deveras rara, dado procurar o instante e convertê-lo em fortes imagens, sobretudo ligando-as a uma componente sensorial.
Sabe lidar com a respiração do verso o que é importante para o leitor, mantendo alguns pormenores curiosos, porque raros, na Poesia actual como, por exemplo, a maiúscula na abertura de cada verso.
É, de facto, um poeta que vale bem a pena ler porque nos refresca o espírito, através de uma escrita pausada, mas rigorosa, plena de vida. “

Ao meu amigo e poeta Xavier, o meu muito obrigado pelas palavras escritas.

Poderão conhecer um pouco mais a obra e vida do Xavier, consultando o blog do próprio poeta em (http://xavierzarco.no.sapo.pt/) ou o site da Edium Editores

segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Roubaram pedaços de mim

Roubaram-me a alegria,
Com palavras amargas,
Lâminas afiadas em traços de pesadelo
Que endureceram o meu coração…
Roubaram-me a luz,
Aglutinaram-me os sentimentos…
Amarrotando-os sem valor,
Como uma folha de papel,
Deitada ao chão.
Roubaram-me a beleza,
Num céu que se apagou,
Fortalezas que me prenderam,
Grilhões que me amarraram…
Chagas que se abriram em dor.
Roubaram-me o tempo,
Apagando as lágrimas que derramei,
Asas que se quebraram,
Feito de um olhar em que ceguei.
Roubaram-me pedaços de mim mesmo,
Abandonado à minha sorte,
Lixo em retalhos…
Que o vento espalhou.
E porquê?
Grito amordaçado,
Amaldiçoado, sem lógica nem razão…
Vazio apenas…
A ausência das respostas…
Na revolta que ferve em mim.
Roubaram-me apenas…
E fiquei assim, no silêncio.

Fotografia - Paulo Madeira (tema - O teu outro lado)

sábado, 5 de Abril de 2008

A noite foi feita para amar

A noite é serena,
Feita de encantos adormecidos,
Onde deslizamos em algodão e linho…
Flutuando como plumas…
És parte de mim.
Mantas de estrelas,
Rasgos de magia…
Dançamos na sombra e na luz da lua,
Fomentamos a fantasia.
Ardente no tempo,
Somos tudo o que podemos ser,
No teu olhar profundo,
Descubro o sorriso do mar…
Embalo em desejos paradisíacos,
Navego no teu corpo de mulher.
Prazer, desejos… Sonhos atrevidos,
União em corpos perdidos,
Voamos em beijos quentes,
Onde matamos a sede.
No toque suave da tua mão…
Estremeço em paixões contidas,
Deslizamos nos abraços derradeiros,
Neste amor tão verdadeiro,
Onde a noite não terá fim.
Nas palavras sentidas,
Entre os sons da ternura feita,
Quebramos o silêncio em mel,
Suor que cai em leves rios…
Neste sentimento perpétuo e fiel.
Leva-me a ver o mundo,
Em viagens de cometas…
Tão longe os sonhos foram,
Não importa onde fomos,
Nem se escondemos o luar…
Pois a noite meu amor…
A noite!!!
Foi feita… para amar.

Fotografia - Marta Ferreira (tema - Sentimentos Perdidos... (II))

quinta-feira, 3 de Abril de 2008

A guerra é uma besta

Trazes fome no rosto,
A morte na voz…
Jorram rios de sangue…
Nos silêncios contidos na dor.
Choras lágrimas que não sentes,
De palavras feitas em trovão…
O tempo… esse passou por ti,
Por nós…
E nada voltará a ser como antes.
Acorrentado a gritos,
Num corpo de mentiras,
Vestes a pele do lobo…
Declamas promessas perdidas.
Feito de palavras vazias…
Nada e apenas nada, fica!
Aglutina este cruel medo,
Onde o dia se fez noite,
E a noite se perdeu no tempo.
No fumo negro que te abraça,
Na morte que canta e ri
Feridas que se abrem…
Nas balas perdidas que disparas.
És a serpente que rasteja,
Mordes a maçã do pecado,
Rasgas o coração em pedaços,
O dia que tentas esquecer.
Nas interrogações que fazes…
As respostas que não tens,
Fantasma que és,
Matas sem piedade.
Nos tijolos de betão,
Entre os muros que ergues…
Destróis sem apelo, nem perdão…
Seguindo as ordens de alguém.
Sofrem os inocentes,
Corpos mutilados que jazem no chão…
Na agonia, no sofrimento…
Desfazes, nas sombras, o pão,
A guerra é uma besta.

Fotografia - Rafael Andrade (tema - passagem)