Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Tempo de Férias

Meus amigos e leitores,

Venho por este meio informar, que nas próximas semanas estarei ausente por motivos de férias. É sempre necessário descansar o corpo e a alma.

A todos vocês o meu obrigado pela leitura dos meus poemas e pelos diversos comentários.

Com amizade
Luis Ferreira

Fotografia - José Canelas (tema - "Até amanha...")

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Soltei as palavras

Soltei as palavras…
Num silêncio surdo,
Declamando emoções ao vento,
E pergunto… nesta maldita ânsia que me invade
Quem em segredo, as terá escutado?
A velha musica… banal e longínqua
Que toca sem parar…
Como o barco na conquista da maré…
Assim disse o que em mim havia guardado
Esperando espelhar o céu
Nesta crua realidade.
Abstracta linha que separa,
De tão natural que tem,
Por onde ondula a minha alma…
Entre a conquista e o abismo
Padeço do sentimento do amor,
E desse mal… escrevo.
Tenho as mãos cheias de nada…
Eterna inocência liberto,
Vagueio assim no universo
Definindo nas letras as páginas,
Do que habita em mim.
Releio com calma o livro
Que acabei de escrever,
Mas porquê? … Porque raio o fiz!...
Não encontro resposta para esta verdade
Talvez porque assim teria de ser.
Um desejo de um sonho, assim se cumpre…
Abro a janela do meu eu,
Pergunto num só grito,
Afinal para quê ter medo?
Se soltei apenas as palavras…
Na orla do vento,
Para que alguém… as acolha no seu intimo.

Fotografia - Francisco Mendes (tema - luz)

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

Eu... nada sou

Ninguém…
Mas mesmo ninguém conhece o que sou
Nem adivinha o que expresso…
Porque afinal, não sou ninguém
No anonimato respiro…
A miséria do meu ser,
Vivo e tento viver
Entre a nudez do meu caminho.
Sou sensível,
Talvez o seja…
Reconheço que sou sentimental
Encontro-me afinal nos poemas que solto
Nas palavras que habito
Numa carreira feita de sonhos que persigo
Hoje... amanhã... quem sabe,
Talvez um dia fique abençoado
E me vista do que escrevo.
Tudo isto… será a voz do pensamento
Que sinto afinal na alma
Todos temos desejos…
Penso que não é pecado.
Nesta vida traçada em linhas
Como uma estrada sinuosa,
Andarilho sigo…
(De forma verdadeira,
Ora de forma errada)
Desejando ir mais além,
Não creio, ser um erro mortal.
Posso não ter o que desejo
Querer o que não tenho
Ser o que não sou,
Voar além do horizonte
Nas imagens que crio
Poeta… escritor,
Sou uma voz entre muitas no silêncio.
Tantas as lágrimas que deito,
Regando sem saber os meus jardins…
Deixo-me levar pelo que escrevo,
Esperando que não fique no esquecimento
Num qualquer buraco vazio…
Limpo da memória do tempo.
Ninguém…
Mas mesmo ninguém me conhece,
Pouco importa…
Porque um dia acredito
Que na minha fonte,
Alguém irá beber.

Fotografia - Paulo A. (tema - [Locked Dreams... ])

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

AMO

Amo…
Porque em mim, existe o verbo
As palavras…
O oculto sentir
A voz e o silêncio.
Sou o que sou…
As emoções que vibram
Na paisagem nua que aconchega
Reflectindo a alquimia da minha alma.
Sou alfa e beta,
O teu abrigo,
A tua partida e chegada,
O pecado intimo,
O mundo invisível do teu olhar.
Como as estrelas, salpico a noite…
Ilumino a felicidade,
Sou como a brisa que te abraça,
Sou o mar,
As ondas que beijam a praia despida,
As nuvens que pintam o céu,
Sou ave que plana no infinito…
A legenda, o mito,
O teu sonho perpétuo.
Sou castelo que se ergue no monte,
A fortaleza que guarda o teu corpo,
Sou ar leve que toca a tua pele,
Sou o vento que sussurra o teu nome,
Sou o homem,
O poeta que escreve para e em ti.
Sou as sílabas dos teus lábios,
Sou o Norte, o Sul
Todos os teus pontos cardiais,
O teu caminho.
Sou tudo e não sou nada…
Sou o dia e a madrugada,
A vida e o infinito.
Sou a magia do tempo,
Que faz acontecer,
A singela maneira que exprimo
Digo… hoje e sempre
Que te Amo… meu amor.

Fotografia - Jorge Garcia (tema - Ícaro)

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

A noite não descansa

Não sei se a noite descansa,
Nem se a voz… grita no silêncio
Entre os pássaros que voam no firmamento
No riso que desperta de uma criança.
Na sensualidade acolho o fruto maduro
Que germina no seio suave…
Onde o toque completa a comunhão
A rosa que ondula na razão
Na madrugada fria que geme sem fim.
Não sei se as estrelas desenham o céu,
Nem se as palavras se esgotam no tempo...
Ou se o livro, conta histórias do passado
Entre as páginas de segredos guardados,
Vadios… Perdidos…
Tantas e tantas vezes repletos de nada.
A inconsciência comprime os beijos,
Guardando-os na boca lacrada
Na liberdade escondida,
Gozo de demência sã…
Das horas bem passadas.
Loucos… são sempre os outros,
Perdoai… grita uma alma perdida
Que se afogou na fé cega
Entre as lágrimas de sangue dos espinhos
Nos traços rasgados da opressão.
Não sei se a noite descansa…
Mas o mundo, sei esse não pára…
O futuro é já amanhã
A janela que se abre…
E o passado…
Esse… já não conta para nada.

Fotografia - Alexander Kharlamov (tema - Blindness)

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Forte é este sentir

O que é isto que sinto?
Se neste sentir…
Me perco,
Enlouqueço…
Numa imensidão de desejo.
Tantas são as noites,
Que em claro fico…
Em que não adormeço
Para velar por ti,
Guardando os teus sonhos.
Embriagado de amor estou
E deste mal faleço…
Perco-me no meu destino
Onde o mesmo…
Numa união de juras para sempre
Já não… só depende de mim.
Nesta loucura sã que me preenche
Os meus olhos cantam
Quando te vejo
Radiando em felicidade...
Num universo feito do teu sorriso.
Ali fico possuído
Neste fogo… vermelho vivo
Fremente a minha boca suspira
Arrepia quando sinto o beijo.
Afinal… nesta imensidão
Descubro que é lindo este sentir
Que revela e liberta a alma
E se o que sinto é uma dor de amor
Quero sentir,
Gritar ao mundo o teu nome
E que o coração nunca mais se cale.

Fotografia - Marta Ferreira (tema - Prazer na solidão...)

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Um dia... talvez um dia

Nas palavras…
O momento que fica,
Que marca…
Entre os sonhos habitados
Que percorrem as naus do meu lar.
A imensidão…
De uma aura destinada,
Além dos tempos
Que gerem emoções,
Sentimentos,
Na missão de quem escreve.
Sou tudo o que escrevo,
Não sou nada afinal…
Poeta na aspiração das letras
Que falam em silêncio
Numa ânsia… somente presunção
Entre conquistas
Numa visão…
De o ser.
Nas palavras…
Retrato o quadro,
Como a tela de sentimentos
No encanto…
Entre o perfume das cores.
No poema…
Os farrapos que me vestem
Na leveza dos sabores
Escorre a tinta nos rabiscos que deixo
Mostrando o quando nu estou.
Sou o que gostava de ser…
E assim fico…
Vagueado no horizonte
Muito além do pensamento
Quiçá, o meu destino.

Fotografia - José (tema - ]... uma luz por entre as sombras...[)

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Uma mensagem

Escrita no papiro nu…
A mensagem que partiu
Foram desejos secretos da boca e do corpo
Daquele amor cheio de crença e de medos,
Procurando um abrigo…
Além do porto que a acolhe.
Flutuando em ondas que fingi,
Anseia chegar a parte inserta…
Transportando um amor presente
Segredando no silêncio ao ouvido,
Palavras eternas que não disse,
Mas, que jaziam num coração ardente.
Há fogos acesos…
Que levaram incessantes tempestades
Alimentando os beijos dos namorados…
Num tempo sempre prisioneiro.
Palavras peregrinas e verdadeiras,
Que caem na suavidade do sentimento
Entre as gotas salgadas das lágrimas…
Deslizam como um rio
Entre as marés que o olhar deteve
Onde se seguram as amarras dos seus barcos.
Naufraga a gaivota…
Que rompeu o infinito vazio
Desafiando com robustez os céus
Onde sangram feridas abertas
Nos desejos adormecidos dos véus
Das noites cegas de amor.
A garrafa navega num mar que a leva…
Nascida pelas mãos sentidas
Esperando o sorriso do amanhecer
Perguntas… sem respostas possíveis
Fingindo que medito sem pensamento.
Praia nua que abraça a inocente razão
Mata-me de paixão um dia
Onde frestas abertas colhem quem eu sou
Voltarei na minha miséria, a escrever
Uma nova mensagem…
Na frescura daquilo que sinto.

Fotografia - Rui Moura (tema - *Então, dás-me um abraço?...*)